quinta-feira, 16 de março de 2017

Metalder, um clássico impopular das séries Metal Hero

O homem máquina ao pôr-do-sol

Os anos 80 são referência de vários filmes e séries de ficção científica. Duas grandes influências são, sem dúvida, as franquias Star Wars e Star Trek. Tais influências, além de outros clássicos de Hollywood, foram essenciais para a concepção das primeiras séries Metal Hero. Os Uchuu Heroes (heróis do espaço): Gavan, Sharivan, Shaider, Jaspion e Spielvan. Após visíveis sinais de cansaço, a Toei Company resolveu investir em uma nova série que fugisse de tudo o que foi apresentado até então. Foi desta necessidade de mudança que surgia no dia 16 de março de 1987 a série Choujinki Metalder.

No Brasil, Metalder, o Homem Máquina foi trazido pela extinta distribuidora Everest Vídeo, do sr. Toshihiko "Toshi" Egashira, num pacote que incluía outras séries tokusatsu (Spielvan, Maskman e Kamen Rider Black). Dentre esses quatro títulos, Metalder foi a primeira aposta e não passou na tela da também extinta Rede Manchete. Estreou em 2 de abril de 1990 na Bandeirantes, logo após um programa partidário gratuito. Curiosamente, o horário era às nove da noite e competia diretamente com a novela Rainha da Sucata (estrelada por Regina Duarte e Tony Ramos), que também estreou no mesmo dia. Inicialmente às segundas e quartas e em rodízio com Machine Man (às terças, quintas e sextas), Metalder passou em horário justo para a trama, porém ingrato por disputar com a novela das oito. Provavelmente foi a série tokusatsu exibida no Brasil que mais sofreu adaptações com nomes de personagens.

Na trama, Metalder era um robô criado pelo Dr. Koga nos tempos da Segunda Guerra Mundial, com a finalidade de ser uma arma de guerra da Marinha Japonesa. Com a forma humana idêntica ao falecido do Dr Koga, o androide jamais despertou, uma vez que a guerra acabou. Somente 42 anos depois é que veio o seu despertar. A mais nova ameaça era Neroz, um mutante que comandava um império formado por quatro tropas: a Blindada, a Cibernética, a Monster e a Mecanol. Diferente dos demais vilões da época, seu desejo é dominar o mundo através da economia. Neroz assumia secretamente o disfarce de um empresário chamado Makoto Dolbara.

Sem armas e utilizando apenas suas técnicas especiais de combate, Metalder assumia a identidade civil como Hideki Kondo. Ao seu lado tinha o cão-robô falante Spriger - também criado pelo Dr. Koga - e a fotógrafa Maya Aoki. Mais tarde surgia no meio da série o motoqueiro impetuoso - e atrapalhado - Satoru Kinta. Destaque para o vilão Top Gunder, que passou a ser um herói secundário valoroso.

Metalder foi uma série bastante carregada e um tanto madura para o público infantil. Foi uma tentativa de conquistar um público mais velho. Apesar de ter se passado 30 anos de sua estreia na TV japonesa (completados hoje), ainda continua atual. Seu final foi uma das mais belas já feitas para uma série tokusatsu e digno assim como os desfechos de Robô Gigante (1967) e Spectreman (1971). Totalizou apenas 39 episódios, sendo a série Metal Hero de menor duração. O motivo simplesmente se deu pela Toei querer antecipar a estreia de Jiraiya para janeiro de 1988. Que por um lado foi bom para evitar mais episódios isolados e sem cair às pressas. Em contrapartida, Metalder possui um único filme exibido no extinto Festival de Mangá da Toei e sua qualidade pífia se comparada à série de TV.

Sua média de audiência no Japão foi de 8.2%. Os primeiros 24 episódios foram exibidos às segundas-feiras às sete da noite na TV Asahi. A partir do episódio 25, Metalder mudou de horário para às manhãs de domingo, às 9h30. Horário ocupado na sequencia por Jiraiya e Jiban (até o episódio 9). A data que marcou o novo horário foi 4 de outubro de 1987, a mesma da estreia de Kamen Rider Black no canal japonês TBS.

Grandes nomes do tokusatsu participaram de Metalder como o músico Seiji Yokoyama (de Cavaleiros do Zodíaco), Isao Sasaki (o Dr. Nambara em Jaspion) interpretando o tema de abertura, além de Ichiro Mizuki nos temas de encerramento e inserção. O visual foi criado por Keita Amemiya (o mesmo de Jiban e Garo), que teria se inspirado em Kikaider, um clássico herói de Shotarô Ishinomori que completa 45 anos em julho deste ano. Dentre os roteiristas, Metalder contou com o riquíssimo trabalho de Shozo Uehara. O herói principal foi vivido por Akira Senoo. Um dos destaques fica para Kazuoki Takahashi, o Change Griphon de Changeman, como Satoru. E não posso deixar de citar Shinji Todo, o Spider-Man, como o vilão Neroz. Sendo este não foi o primeiro vilão de sua carreira.

Apesar da impopularidade no Japão e no Brasil, Metalder é uma das séries mais importantes do tokusatsu e lembradas pela geração que acompanhou a trama melancólica.

6 comentários:

  1. Metalder é realmente uma série fantástica, recentemente tive a oportunidade de assistir inteira novamente (quando vi pela primeira vez era criança) e sua qualidade e maturidade são incríveis para uma série de 1987, como você disse no texto, é uma série que pode tranquilamente ser encaixada nos conceitos atuais e o final é épico, uma série injustiçada no Japão, merecia mais episódios.

    PS: Faz sobre o Kamen Rider V3, estou acompanhando e apesar do começo ser meio fraco, a série evolui e fica muito boa.
    Abraço

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    1. Oi, Royne. Eu acho que Metalder terminou no tempo certo. Por um lado, foi bom Metalder ter tido apenas 39 episódios. Evitou mais episódios isolados, repetição de vilões e coisas do tipo. Tudo se encaixou perfeitamente. Infelizmente não assisti a série quando passou na Bandeirantes. Soube da existência da série através daquele álbum de figurinhas do Spielvan. Somente anos depois é que assisti o Metalder e desde então se tornou um dos meus Metal Heroes favoritos ao lado de Spielvan, Janperson, Sharivan, Winspector, entre outros.

      Sobre o V3, pretendo escrever em breve. Esse ano está bem festivo e várias séries clássicas de anime e tokusatsu estão celebrando aniversário. Forte abraço.

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  2. Logo quando vi a estreia de Metalder na Bandeirantes percebi que era uma série diferenciada (ainda mais se comparada às duas produções que a emissora já havia estreado, Goggle V e Machine Man).

    Essa impressão se confirmou ao longo dos meses em que foi exibida. O destaque dado à hierarquia do Império Neroz e à história pessoal de cada um dos seus guerreiros, por exemplo, era algo praticamente inédito até então. Episódios em que herói foi praticamente um coadjuvante, como o 11 continuam raros até o dia de hoje.

    A forma com que Hideki/Metalder ia descobrindo a respeito de suas origens e aprendendo a conviver com a sociedade era outro aspecto que chamava a minha atenção. Sempre gostei de personagens como Spock, Data e o Surfista Prateado, o "estrangeiro" que, através de suas descobertas e análises sobre os defeitos e virtudes da humanidade fazem com que o espectador/leitor passe a refletir sobre sua condição.

    Nesse item (e praticamente em todos os outros), Metalder acabou se mostrando superior à série na qual se baseou (mesmo que não oficialmente), Kikaider.

    Uma pena que a audiência no Japão não tenha correspondido. Sempre achei que a inclusão do Satoru foi a primeira tentativa de tentar levantar os números, trazendo um ator que havia tido um papel popular em Changeman (e, verdade seja dita, acabou trazendo uma nova dimensão ao personagem de Hideki, que tinha uma outra pessoa para interagir além da Maia).

    A outra tentativa foi a mudança de horário. Não é coincidência que o primeiro episódio exibido aos domingos pela manhã tenha sido justamente o que trouxe vários atores convidados de peso, como Kenji Ohba, Junichi Haruta, Hiroshi Watari, Jun Takanomaki e Sumiko Tanaka. Sem contar o fato de tentar se apoiar na estreia de Kamen Rider Black, como bem lembrado no texto.

    Mesmo com poucos episódios em comparação a outras séries da época, o principal é que a série fechou muito bem. Acho toda a trama final de Metalder fantástica, especialmente os dois últimos episódios (que curiosamente não foram escritos pelo roteirista principal Susumu Takaku, e sim por Kunio Fujii).

    De qualquer forma, acredito que Metalder tenha tido um reconhecimento tardio em sua terra natal, ainda que em pequena escala. Salvo engano, foi o único metal hero lançado em LD na década de 90. Também teve figuras de ação lançadas em coleções mais recentes, como na Action Works.

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    1. Excelentes observações, Ricardo. A gente percebe logo de cara a diferença na atmosfera de Metalder e vê que não é mais uma série com o rótulo "infantil". O Império Neroz tinham personagens dignos de valor como o Ben K, Barloc e Ramon (Bigwayne, do episódio 11). Este último teve um episódio todo voltado para ele e Metalder só apareceu no final para lutar contra o veterano, como citado. Foi um dos elementos que ajudaram a quebrar o padrão dos seus antecessores.

      O Satoru foi aquele alívio cômico que sempre queria bancar o herói e sempre estava disposto a ajudar, apesar de não ter a força adequada para combater Neroz. Confesso que dentre os personagens do Kazuoki Takahashi, este é o meu favorito, enquanto o Hayate/Griphon fica em segundo.

      E o final do Metalder foi uma coisa magnífica. Triste, porém poético. Ao invés de flashbacks dos episódios mais marcantes (como aconteceu nos finais de Jaspion, Spielvan, Jiraiya, etc), o próprio momento em si ajudou a "humanizar" mais ainda o Metalder. Um androide que aprendeu valores com seus companheiros. Até hoje não sei descrever o que realmente aconteceu com o herói justamente pela forma que foi contada. Este foi o desfecho de uma série tokusatsu que mais me emocionou e que guardo com carinho. Ainda está no topo como o melhor final.

      Forte abraço.

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  3. Realmente uma série subestimada pelo público. Talvez, pelo o apelo mais "adulto ". Recomendo assistir a noite.O clima mais propício para imergir na trama.

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  4. Tinha a Adaptação americana de Metalder no VR Troopers.

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