quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Só criança inocente vai esperar pela terceira temporada de The Lost Canvas em 2016

The Lost Canvas é uma das pendências da franquia em animê

As comemorações dos 30 anos de Os Cavaleiros do Zodíaco começaram desde novembro, se contarmos com a primeira publicação do mangá da série pela Weekly Shonen Jump (antes da mítica estreia na TV Asahi em outubro de 1986). Já foram produzidas várias mídias relacionadas ao universo de Seiya e cia. Seja em mangá, anime, OVAs, games, cinema, etc. A gente sabe que os lançamentos inéditos na TV e no cinema são os mais barulhentos. Não por serem simplesmente áudio-visuais, mas sim por algumas destas produções serem baseadas nos mangás ou mesmo fillers (como Omega e Alma de Ouro). 

Sendo franco, por enquanto não tenho muitas expectativas para Os Cavaleiros do Zodíaco em 2016, além das comemorações que venhamos a fazer na internet e eventos de cultura pop. Não que eu esteja desacreditado ou coisa assim. É que geralmente deixo para esperar por algo depois de um anuncio oficial. Acho bem melhor do que criar expectativas e viajar em sonhos distantes que talvez fiquem improváveis de serem reais. Assim como muitos, também quero uma terceira temporada de The Lost Canvas no futuro. Mas é preciso ter os pés no chão quando o assunto é Tenma, Yato e Yuzuriha. Muitos criaram uma "rinha de galo" entre esta obra e Os Cavaleiros do Zodíaco Omega. Daí muita confusão misturada com mimimi e por aí vai.

Lembro que na época muita gente ficava comparando Cavaleiros de Ouro de The Lost Canvas com os de Bronze de Omega. Nada a ver. O exagero foi tanto que muitos "fãs" esqueceram que Ouro é um nível superior entre os Cavaleiros. Outro detalhe: The Lost Canvas foi feito para um público jovem/adulto e Omega foi feito para atrair os mais novinhos. Omega pode ter lá alguns elementos que não tiveram muita ligação ou referência à mitologia de Masami Kurumada. Mas foi uma boa série que teve seus altos e baixos. Mas comparar com The Lost Canvas seria comparar peso-mosca (sem pejoratividade com Kouga e sua turma) com peso-médio-pesado (considerando a violência moderada da série de Tenma de Pégaso). Jogo baixo, concorda?

Ah, não esqueçamos que Omega foi produzida pela Toei Animation e The Lost Canvas pela TMS Entertainment. Poderia haver uma série nova e continuar outra? Sim. Mas tudo depende dos tramites que rolam nos bastidores de cada estúdio. Sabe-se lá qual a dificuldade pra sair a terceira temporada de The Lost Canvas. Frisando de novo: isso não tem nada a ver com Omega ou qualquer produção da franquia pela Toei Animation.

Falando nisso, quem acompanha - de verdade - as notícias sobre CdZ sabe que a mangaká Shiori Teshirogi respondeu recentemente que havia conversado com o pessoal da revista Bessatsu Shonen Champion, da Akita Shoten, sobre a produção de mais episódios da série. Resposta: Nada planejado até o momento. O mais engraçado é que nesta semana a terceira temporada da série foi anunciada na Espanha, mas tudo não passou de uma brincadeira do dia dos tolos (equivalente ao dia da mentira por lá e em outros países). E teve quem caiu e não pensou duas vezes antes de averiguar se a informação procedia.

Se você é daqueles que fez pedido a Papai Noel pra trazer The Lost Canvas de volta com novos episódios, então é melhor se contentar com as reprises na Tokyo MX no mês que vem e tente nas próximas festas de fim de ano. Do contrário, melhor esperar sentado, pois em pé cansa.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

One Punch Man mostra que Dragon Ball e Samurai Flamenco são reles fichinhas

Os heróis Genos e Saitama

Fazia umas semanas que estava devendo comentários sobre One Punch Man e não poderia deixar de escrever, já que a série chegou ao final da primeira temporada nesta semana. E não tenha dúvida que este é o melhor anime de 2015. Dispensa listas do gênero. A série está disponível no Brasil oficialmente - e de graça - pelo serviço de streaming Daisuki e é digna de uma maratona de fim de ano, pra quem vai ficar em casa.


Não tem como não gostar do Saitama, o herói principal que resolveu ser herói para simplesmente ajudar as pessoas. O mais engraçado é que ele não faz muito esforço pra ter os poderes que tem. Por incrível que pareça, Saitama apenas treina como qualquer atleta ou esportista faria. Aliás, um esforço como qualquer ser humano com boa disposição faria. E isso é o que faz dele ser especial, pois não há explicação pra razão de seu poder. Embora não conseguisse alcançar o topo de classificação como de outros heróis (da série). Claro, trata-se de uma comédia e não dá pra esperar tanta precisão, embora One Punch Man tenha momentos mais críticos, como nos últimos episódios.

Uma das coisas que deixou One Punch Man mais popular entre os fãs foi o carisma de Saitama. Ora ele fica com um semblante sério, ora com aquela carinha engraçada de despreocupação (que poderia ser desenhada facilmente num ovo). Muitas brincadeiras e memes surgiram nas redes sociais por causa do Saitama. Não é a toa. Não duvido se o herói virar um tema de aniversário improvisado, por exemplo. É perfeito pra ocasiões do tipo. Saitama teve um aliado, o ciborgue Genos, que decidiu segui-lo. Apesar de não ter sido tão famoso (pelo menos por ora), tem o seu valor. Quase um Vegeta em força, porém modesto e sem rivalidade.

One Punch Man superou Dragon Ball no aspecto de força/poder. Em apenas 12 episódios (a segunda temporada ainda será produzida), Saitama mostrou que não é preciso dezenas de episódios cheios de blá-blá-blá pra elevar o poder a mais de oito mil. Embora o esforço como qualquer ser humano faria, impossível não reconhecer o sarcasmo do enredo em relação a isso. Involuntariamente superou outra série recente de anime que tratou super-herói de forma cômica e dramática, o Samurai Flamenco (No Brasil via Netflix e Crunchyroll), devido aos "equilíbrio" de surrealidade. Nada de tão exagerado e procurando se aproximar de um pano de fundo ameaçador e com mais sentido ao final da temporada.

Com leves passagens de fanservices (que em nada atrapalham o enredo), One Punch Man sagrou-se como um dos poucos animes da madrugada a se destacar. Sucesso imediato que veio após o boom de Ataque dos Titãs, em 2013. Não é em vão, pois são elementos conhecidos sendo trabalhados de outra maneira. Mas o anime conseguiu o sucesso que teve pelo carisma de seus personagens. E Saitama foi o tiro certeiro em todos os sentidos. Fez mais que Goku e Hazama em tão pouco tempo.

A quem interessar, o mangá de One Punch Man será publicado pela Editora Panini em breve.

A marca registrada de Saitama

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Ultraman X encerra sua saga sem pretensão de emocionar

Ultraman X em mais uma batalha

Ultraman X chegou à sua reta final nesta terça (22) e ao longo dos últimos cinco meses conseguiu fazer um pouco mais que Kamen Rider Drive, Kamen Rider Ghost, Ninninger e Garo juntos. Tudo bem que a série foi simples em roteiro, mas a produção chamou a atenção do público que acompanhou com uma trama básica, agradável e com efeitos visuais melhorados. Teve episódios marcantes como os retornos dos Ultras Zero, Max, Ginga, Victory e Nexus. Aliás, a aparição deste último foi o melhor dentre as participações dos heróis veteranos - de outros multiversos - por colocar a bela segunda capitã Sayuri Tachibana como a sexta hospedeira de Nexus e dramatizar quanto a realidade de sua família que mora fora do país.

X (leia: "éks", X em inglês) não teve um final grandioso como deveria. Isso era até esperado pela simplicidade que a série já carregava. Não que isso fosse ruim, mas talvez a pouca duração de 22 episódios não ajudou a ter um final que chegasse perto do nível de Ultraman Mebius, por exemplo, que enfatizou muito a união da humanidade e a amizade dos companheiros da GUYS. O final de Ultraman X serviu mais como "caça-níquel" e sem tanto esforço. Foi simples demais, porém com 
valor de uma série Ultra.

Infelizmente, Daichi e Asuna não tiveram um romance trabalhado como queríamos. Não foram Dan e Anne, Daigo e Rena ou Kaito e Mitsuki. Em suma, ficaram apenas na base do subtendimento. Mas os dois até que renderam uma cena importante para o clímax da batalha final. Nada de tão amoroso, ainda, pois é cedo. Quem sabe numa continuação, né? Em todo o caso, fica a saudade da atriz Akane Sakanoue (de 20 aninhos) como colírio da série.

Ultraman X é um marco importante para o tokusatsu no Brasil. Pois a série foi a primeira a vir oficialmente ao Brasil com uma curta duração de tempo: apenas uma hora de diferença do Japão. Surpreendentemente tirou o lugar de Jiban, o Policial de Aço do topo do tokusatsu a estrear mais rapidamente por aqui e no mesmo período de exibição na TV japonesa. Se você ainda não assistiu, pode ver os episódios via Crunchyroll por acesso gratuito ou por assinatura premium. A série serviu como uma prévia das comemorações doa 50 anos do Ultraman original, no ano que vem.

PS: Ultraman X ainda não terminou oficialmente. Haverá o episódio 22.5 em breve, que resumirá os últimos oito recentes. Além do filme Gekijôban Ultraman X - Kitazô! Warera no Ultraman (Ultraman X - O filme: Ele chegou! Nosso Ultraman) nos cinemas japoneses em 12 de março de 2016.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Versão de O Renascimento de 'F' em Dragon Ball Super é forçada e não tem fator nostalgia do cinema

Freeza em Dragon Ball Super

Freeza voltou em Dragon Ball Super. Na realidade trata-se do remake do último filme de Dragon Ball Z lançado nos cinemas neste ano, tanto no Japão quanto no Brasil. O Renascimento de 'F' superou o filme anterior, A Batalha dos Deuses, que resgatou o lado cômico da primeira série de DB e que havia sido perdido ao longo de DBZ.

O Renascimento de 'F' é um filme espetacular que remete toda uma nostalgia dos tempos em que assistíamos a série Z no finalzinho dos anos 90 para início do ano 2000. Só que infelizmente não é essa a impressão passada no remake em DB Super. No começo pensava-se que a saga poderia seguir rápido pelo jeito que começou. Era de se esperar que alguns fillers surgissem, como aconteceu na saga anterior que refez o penúltimo filme de DBZ no cinema. E são esses mesmos fillers que estão matando O Renascimento de 'F' na TV japonesa.

Primeiro de tudo, Ginyu retorna do acaso e troca de corpo com Dagoma, um dos novos servos de Freeza. De longe, um retorno dispensável que não contribuiu em nadaà trama. Ninguém sentiu saudades dele e sua volta não causou impacto algum. Foi um filler por filler. O vilão - que havia retornado como o mesmo sapo por qual trocou de corpo acidentalmente - foi derrotado fácil fácil por Vegeta.

O pior de tudo foi ver Gohan sendo massacrado/torturado por Freeza, mesmo estando transformado em Super Saiyajin. Tudo bem que Gohan treinou pouco e não teve tanta dedicação devido aos estudos. Mas foi forçado e bestial. Até Piccolo saiu dessa ferido e com muita facilidade pra um guerreiro de grande força como ele. Não dá pra entender essas rendições bobas.

Como se isso não bastasse, o clima de nostalgia acabou dando lugar ao tédio. No episódio deste domingo (20), Goku e Vegeta lutaram contra Freeza e foi uma enrolação só. O que foi aquela zoeira do Vegeta bater palmas quase sem parar? Parecia que ele queria fazer ora com a cara do Goku fazendo pensar que iria voltar pro lado de seu antigo general. Olha, isso não teve muita graça.

Dragon Ball Super anda muito estranho ultimamente e a vontade é de que o final da atual saga de Freeza acabe logo. E ainda bem que a próxima saga, God of Destruction Champa, está certa pra janeiro. Finalmente algo novo a ser explorado na mitologia de Dragon Ball e eu estava esperando há meses por isso.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Dublagem fraca de Glitter Force combina perfeitamente com o estilo da série

Smile PreCure, do Japão, agora é Glitter Force no ocidente

Por sinal a Saban Brands quer apostar alto em adaptações americanas de animes (além do tokusatsu Power Rangers). Glitter Force, a versão ocidental da série Smile PreCure!, estreou nesta sexta (18) com o selo Original Netflix (série exclusiva do serviço) e está com os 20 episódios da primeira temporada disponíveis. A segunda só para o ano e com mais 20. Pra quem não sabe, Smile PreCure (ou Smile Pretty Cure!), de 2012, é a nona série da franquia Pretty Cure, produzida pela Toei Animation desde 2004, e coleciona um total de 48 episódios. Seguindo o mesmo esquema anual de Kamen Rider e Super Sentai, as séries duram um ano e quando acaba vem outra pra substituir religiosamente no primeiro domingo de fevereiro na TV Asahi. Atualmente está no ar a série Go! Princess PreCure e em fevereiro que vem será a vez de Maho Gilrs PreCure!.

Os fãs conferiram o resultado da adaptação e já sabiam que haveriam mudanças de nomes e diálogos, como esperado. O que ninguém contava é que a série ganhasse uma dublagem brasileira feita em Los Angeles. As vozes são todas desconhecidas e estranhas. Por incrível que pareça, a péssima qualidade da dublagem está combinando, em parte, com o estilo ocidental passado para a série. Por exemplo, a voz de Emily/Glitter Lucky (Miyuki Hoshizora/Cure Happy no original; Glitter Rosa na dublagem "brasileira") lembra muito aquelas locutoras de propaganda de bonecas como Barbie e My Little Pony da vida. Certamente a escalação da Saban foi para o lado da equiparação a esse tipo de produto ocidental, que faz sucesso entre meninas na faixa dos 4 aos 10 anos.

No Japão, Pretty Cure também faz sucesso com o público feminino, mas também chama atenção do público adulto (inclusive homens). Talvez a perspectiva fora do Japão seja diferente e vá pelo caminho mais fácil: trabalhar apenas com o público infantil feminino como também acontece com os produtos veteranos já citados. Por outro lado, pode ser que com a chegada de Glitter Force as séries Pretty Cure venham a ser mais procuradas em meios alternativos de divulgação e aumente consideravelmente o número de fãs e admiradores, que ainda é pouco no Brasil. Caso faça sucesso, pode apostar que haverá mais Glitter Force após a segunda temporada da contraparte de Smile PreCure! e um afastamento total das versões originais.

Poderia ser uma dublagem mais trabalhada como foi recentemente com The Seven Deadly Sins (Nanatsu no Taizai), que também veio ao Brasil com exclusividade pela Netflix. Mas a tendência é das próximas dublagens da série seguir esse mesmo padrão, considerando a visão econômica da Saban. E isso fomenta ainda mais as discussões sobre original x ocidente e dublado x legendado.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A tokunet brasileira precisa se tratar de um câncer chamado saudosismo

National Kid, um clássico ignorado por saudosistas do Jaspion

Quem me acompanha por aqui no blog há longa data, sabe que sou da geração que assistiu as séries de tokusatsu na extinta (e saudosíssima) Rede Manchete. Devem saber que também curto sem nenhum problema as séries daquela época e que também procuro coisas novas/recentes do gênero - sem ignorar clássicos. O mesmo faço com os animes. Pois bem, mas sabe quando você sente que o tokusatsu no Brasil tem mais tendências a se retrair ao saudosismo do que ultrapassar a barreira das mesmices? Essa é a sensação que tenho ao ver por aí nas redes sociais a fora quando citam sobre tokusatsu. É como se o público virasse caranguejo: andasse pra trás.

Tudo bem que Jaspion e cia foram marcantes e sempre serão. Não tiro o mérito e devemos sempre respeitar e resgatar a memória dos nossos nobres heróis. Até porque já escrevi e hei de escrever no futuro textos sobre nostalgia de tokusatsu, como também pretendo divulgar séries inéditas que nunca vieram ao Brasil ou que estão chegando agora de forma oficial via streaming legalizado. Nos últimos anos cheguei a palestrar sobre tokusatsus antigos também. Mas tipo, a divulgação por aí afora deveria ser mais equilibrada. Longe de mim generalizar, mas vejo muito movimento falando de tokusatsu como se resumisse apenas ao que passou na Manchete ou no geral exibido nos anos 90.E acabam esquecendo de clássicos mais antigos que já passaram no Brasil antes de Jaspion, como National Kid, Ultraman, Spectreman, Vingadores do Espaço, Esper, Robô Gigante, etc. Ou mesmo esquecem de séries inéditas (independente de época). A saturação é tão grande hoje em dia que a galerinha (de 30-40 anos) esquece que a primeira série de tokusatsu a vir ao Brasil também estará no tão falado pacote de tokusatsus distribuídos pela Sato Company para a Netflix e não fizeram barulho com o nome dele como merece.

Sinceramente não sei se isso o que é pior na tokunet. Se é o relativismo no meio que diz que "Power Rangers não é tokusatsu", "tokusatsu morreu no Brasil quando acabou a Manchete" ou se é a poluição saudosista que diz "Jaspion é o melhor", "Kamen Rider só tem biba", "diga não a Power Rangers". São afirmações tão pequenas/vazias que facilmente são derrubadas em argumentos pacíficos. Lembro que anos atrás eu via uma divulgação mais equilibrada na internet. Tinha o lado da nostalgia como também tinha o lado de outras séries. Há uns cinco anos atrás havia esse equilíbrio. Eram época das comemorações de aniversário de Ultraman, Kamen Rider e Super Sentai. Em meio às homenagens havia também lembranças de outras séries que não vieram ao Brasil. E pensar que Ultraman Zero já foi muito bem aclamado pelos fãs brasileiros antes dos materiais oficiais do herói chegarem por aqui. Hoje ficou apenas restrito aos fãs dos Ultras.

O problema do tokusatsu no Brasil é que há muita segregação e briguinhas tolas por causa de mero entretenimento. O tokusatsu no Brasil tem jeito sim. Atualmente há materiais oficiais surgindo, praticamente beirando a casa de 40 títulos oficiais. E não dá pra ficar pensando que "o tokusatsu não volta ao Brasil" pois está sim. É só dar uma "googada" pra sair da caverna do passado e respirar outras séries.

Veja bem, não sou contra a divulgação das séries japonesas de minha época. Mas tem um velho ditado que diz que tudo demais é veneno. Eu diria mais: que o excesso de saudosismo atrapalha quando não damos a devida atenção a algo que veio antes e depois da nossa geração. Tem horas que é preciso respirar novos ares. O tokusatsu no Brasil tem que se reinventar com urgência pois está ficando velho e temos que "cuidar" do que é nosso para não deixá-lo caduco. Do contrário, o público será fadado a velhos que nunca cresceram (sem pejoratividade) e passaram a vida inteira morando num museu.

O gênero tokusatsu está longe de ser uma modinha como Star Wars virou recentemente às vésperas do sétimo filme, mas Jaspion e cia se tornaram uma dentro do nosso próprio nicho. E viver apenas do passado não é legal. A saturação é pior do que aquela enxurrada de super-heróis japoneses empurrados nos canais da TV brasileira há um quarto de século atrás.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Jason Faunt é um bom teste para vinda de mais astros do tokusatsu em eventos no Norte-Nordeste

Jason Faunt ao lado do seu xará David Frank

Fiquei bastante surpreso quando saiu ontem o anúncio do ator Jason Faunt para o Sana Fest 2016, aqui em Fortaleza (Ceará). Pela primeira vez a nossa (pelo menos pra mim) capital alencarina recebe um ator de tokusatsu. Sendo mais preciso, da franquia Power Rangers. Faunt nada mais é que o ator que interpretou o boa praça Wes, o Ranger Vermelho da série Power Rangers Força do Tempo. Na mesma série também viveu o seu sósia do futuro, Alex (que era o Ranger Vermelho da Força do Tempo do ano 3000). No mesmo fim de semana, ele estará São Paulo no evento 4 Fun Fest.

Faunt nasceu em Chicago, no subúrbio de McHenry, Ilinois. Estudou no McHenry West High School, onde se graduou na mesma turma de Matt Skiba, integrante da banda de punk rock estadunidense Alkaline Trio. Com o talento atlético para se tornar um jogador profissional de beisebol, optou por se mudar para Los Angeles e seguir sua carreira como ator. Foi daí que começou na série de 2001 onde ficou famoso. Casou-se com sua esposa Stephanie, em setembro do ano seguinte, com quem tiveram duas filhas. Curiosamente, quando era noiva do ator, Stephanie aparece no episódio 25 (Locuras no Cinema - Parte 2) numa cena em um bar. O mesmo foi dirigido por Koichi Sakamoto.

Em seu currículo, Jason Faunt já participou de alguns filmes e séries das TVs americana e britânica. Um trabalho bem notório dele fora de Power Rangers aconteceu em 2012 no jogo Resident Evil 6, onde fez captura de movimento para o personagem Leon S. Kennedy.

Voltando a falar sobre Power Rangers: Faunt participou de quatro episódios de Power Rangers Força Animal. Três como Wes e mais um dublando o monstro Bulldozer Org (no oitavo episódio). Ano passado reapareceu como o herói que o consagrou no final de Power Rangers Super Megaforce, ao lado de alguns outros atores veteranos da grande franquia da Saban.

Jason Faunt é um bom nome para testar futuras vindas de demais atores das séries de tokusatsu em Fortaleza. Melhor, no Norte-Nordeste. Se fizer sucesso, sem dúvida será um chamariz para a vinda de astors do gênero. Seja de Power Rangers, seja de séries japonesas. Por que não? E Jason Faunt é uma garantia certa. O carisma de seu personagem e também sua popularidade em alta em eventos americanos (assim como os de seus colegas de franquia) são pontos imprescindíveis que podem garantir o valor do investimento.

E aqui vai uma humilde opinião deste blogueiro que vos escreve: tanto o Sana como outros daqui da nossa terra-do-sol entender que a vinda de atores/atrizes de tokusatsu são rentáveis. Arrisco a ser ousado: é são cartas na manga pra qualquer evento de cultura pop do gênero. Temos sim um público que curte estas séries. Tanto da era Manchete quanto da geração que cresceu assistindo Power Rangers. É só ver o sucesso não distante em outras cidades por onde passaram Hiroshi Watari (Sharivan/Bomerman/Spielvan), Takumi Tsutsui (Jiraiya) e Jason David Frank (Tommy). Aliás, fica a dica para estes três nomes que arrastam multidões por onde passam. Uma convenção bem elaborada entre atores americanos e japoneses do estilo, como acontece nos EUA, são exemplos infalíveis do que poderia acontecer por aqui. Com certeza os eventos locais não terão nada a perder se testarem, pois tem mais a ganhar e inovar.

E Jason Faunt é um tiro certo. Podem anotar o que eu digo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Pânico foi longe demais durante sua passagem pela Comic Con

Selfie Boy durante o assédio no evento (Foto: Reprodução/Band)

Parece que a cada ano que passa a turma do Pânico caduca e fazem coisas acima do absurdo pra conseguir audiência. Sem dúvida alguma, a passagem da equipe do programa Pâncio na Band no evento Comic Con Experience foi a mais bizarra e sem graça de toda a história. Mal gosto é o mínimo que se poderia descrever. 

Pra quem ainda não acompanhou o caso, os repórteres Lucas Selfie (Selfie Boy) e Aline Mineiro estiveram fazendo uma cobertura na CCXP. Lá eles fizeram piadinhas com vários visitantes, inclusive cosplayers. A polêmica tomou uma proporção maior quando Selfie entrevistava a cosplayer Myo Tsubasa e a lambeu. Ela estava fantasiada da personagem Estelar da série animada Jovens Titãs. Durante a reportagem, Myo foi comparada a alguma Panicat que teria se "bronzeado quando dá errado". Do nada, Selfie Boy resolve dar uma lambida na moça, ela diz que aquilo não tem graça. Selfie diz ainda algo como "Ah, engraçado é a fantasia dela lá, né?".

A atitude imbecil do Pânico fez com que a direção da CCXP banisse o programa das atividades de futuras edições, em meio de nota oficial do site Omelete. Myo relatou em sua página no Facebook, no qual teve grande apoio do público durante esta segunda-feira (7).

Essa atitude faz pensar o seguinte: qual a necessidade de um programa como o Pânico na Band ir para um evento, do qual não são especializados, e ficarem zoando com um público que é mal visto por leigos? Se não entendem o porquê de tais fantasias ou coisas do tipo, melhor produzirem outro tipo de "atrativo" para encher linguiça. Sim, isso é o que o Pânico tem feito nos últimos anos. Vale lembrar que o Pânico teve uma boa fase durante o tempo em que estava na RedeTV! e era mais engraçado. Mas só piorou de uns tempos pra cá. A coisa ultrapassou os limites nesta que foi a sua última e vexaminosa visita ao CCXP. A história poderia ser diferente algum repórter do CQC estivesse no lugar. Provavelmente não haveria tal exagero. Dependendo de quem fosse o repórter, as perguntas poderiam ser criativas ou até vazias. Nada de tão gritante como faz o pessoal do Pânico.

A expulsão do programa comandado por Emílio Surita foi mais que merecida e que sirva de exemplo para que não aconteça o mesmo em outros eventos de cultura pop. Afinal, os nerds, otakus, gamers, cinéfilos e afins merecem respeito.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Mighty Morphin é mesmo a melhor série de Power Rangers?

O elenco da primeira temporada

De vez em quando vejo nas redes sociais algum ou outro fã de Power Rangers dizer o mesmo de sempre. Algo como "a primeira temporada foi a melhor de todas" e o motivo nunca é explicado de fato. Tem lá os mancheteiros de sempre que "odeiam" Power Rangers que assistiram apenas a primeira temporada nos anos 90, descobriram o Super Sentais e de repente tiveram um déjà vu como se já conhecessem as séries originais em vidas passadas, e andam pregando a peregrinação inquisitória que diz "diga não a Power Rangers" como se fosse um ópio mental e que só as séries japonesas do estilo é que estão num patamar divinal (que não existe). Enfim, será que Mighty Morphin Power Rangers é realmente a melhor de todas as temporadas?

Olha, gosto muito das três temporadas e tenho boas lembranças da minha infância, na extinta TV Colosso (infantil da Globo), e da minha adolescência, nos tempos da também defunta Fox Kids. É uma série que teve seus altos e baixos. Teve sua maneira própria de fazer tokusatsu nos EUA (no quesito roteiro). Claro que ainda é inferior que Zyuranger, Dairanger e Kakuranger - suas versões originais no Japão, mas marcaram época e geração. Isso é fato.

A verdade é que existem temporadas melhores que MMPR. Um pouco mais de análise nunca é demais pra desmistificar esse mito. A primeira Era Saban marcou pelo carisma. Os atores e seus personagens ajudaram no conjunto da obra, sem dúvida. Os enredos começaram a amadurecer a partir de Power Rangers no Espaço, seguiu com Power Rangers na Galáxia Perdida, Power Rangers o Resgate e Power Rangers Força do Tempo. São bons exemplos de séries/temporadas que chegaram de verdade aos pés dos Super Sentais clássicos. Parte dessa mudança foi graças ao produtor Koichi Sakamoto que já trabalhou em outros tokusatsus no Japão e atualmente é um dos diretores de Ultraman X. Embora sejam voltados ao público infantil (com a velha e boa intenção de vender brinquedos), os roteiros ficaram mais sérios e podem fisgar a atenção de algum adulto que de repente poderia simplesmente parar no canal ou ver o que o filho está assistindo.

A Era Disney sofreu uma oscilação entre dividir as histórias mais sérias com mais engraçadas. Isso acabou prejudicando um pouco. Talvez seja para atender as necessidades e adaptação de novo público. Infelizmente a volta da Saban não cedeu espaço para mais desenvolvimento e seriedade nas histórias como antes. Parece que a tendencia é sofrer uma "maldição" similar ao que acontece hoje nos Super Sentais. Enredos cada vez mais bobos a ponto de subestimar a inteligência das crianças.

MMPR não é a melhor temporada, nem de longe. Mas é como falei acima, curto a série como aquela que marcou minha infância e toda uma geração nos anos 90. É uma das que estou revendo atualmente, sempre que posso. E é bacana de comparar com as séries originais, principalmente com Zyuranger. Não é de se jogar fora (como meia dúzia de anti-sabanistas pregam por aí) nem é a única a ser lembrada. Então, menos exagero, galerinha.